Siga-me no Twitter Tamara Amoroso Gonçalves qual sua função no Instituto Alana e por que você trabalha nesta ONG?
Atuo no Instituto Alana como advogada do Projeto Criança e Consumo. Sempre tive interesse nas temáticas de proteção à infância e direito do consumidor, que considero fundamentais para a promoção da cidadania no Brasil. O Projeto, de forma inovadora, conjuga estas duas grandes áreas.
Por que foi criado o Instituto Alana?
O Instituto Alana é uma organização sem fins lucrativos que foi criado a partir de uma iniciativa social de algumas pessoas físicas. Atualmente conta com estrutura e gestão profissionalizadas e tem dois projetos principais para realizar a missão a que se propõe: o Espaço Alana e o Criança e Consumo. Foi fundado em 1994 e tem como missão fomentar e promover a assistência social, a educação, a cultura, a proteção e o amparo da população em geral, visando a valorização do homem e a melhoria da sua qualidade de vida, conscientizando-o para que atue em favor de seu desenvolvimento, do desenvolvimento de sua família e da comunidade em geral, sem distinção de raça, cor, posicionamento político partidário ou credo religioso, também desenvolve atividades em prol da defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes relacionadas a relações de consumo em geral, bem como ao excessivo consumismo ao qual são expostos.
Qual objetivo dos projetos Criança e Consumo, e Educando na Periferia?
O Instituto Alana oferece, por meio de ações do Espaço Alana, atividades que complementam e se somam às ações públicas nas áreas de educação, cultura e saúde. É importante ressaltar que não há, nessa atuação, a intenção de ocupar as lacunas deixadas pelo Estado no atendimento a comunidades carentes. Bem ao contrário, o Espaço Alana tem como objetivo primordial o auxílio às comunidades onde atua para que se organizem pela reivindicação dos serviços e assistências a que têm direito para o exercício da plena cidadania.
O Projeto Criança e Consumo foi criado com o intuito de promover debates sobre cidadania, participação social e qualidade de vida, levando informação crítica aos pais e educadores, instruindo-os sobre os malefícios advindos do consumismo infanto-juvenil. Assim, persegue mudanças de paradigmas na sociedade, propondo alterações nas relações de consumo (como o não direcionamento de nenhuma forma de comunicação mercadológica às crianças), fortalecendo valores humanísticos hoje tão menosprezados.
Para quem são feitas as denúncias ( Minsterio Publico, PROCON ????), e qual a visão dos agencias de publicidade sobre o papel de vocês?
O Projeto Criança e Consumo, ao verificar irregularidades nas mais diversas comunicações mercadológicas dirigidas a crianças, encaminha denúncias aos órgãos públicos competentes, como Ministério Público, PROCON ou DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor). Também realiza denúncias perante o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) que é a entidade responsável por realizar a autorregulamentação da publicidade no Brasil.
O Projeto Criança e Consumo, por ter como missão uma mudança radical de valores na sociedade, primando pela garantia integral dos direitos da criança e do adolescente, procura manter relações cordiais com todos os demais atores sociais. Por isso, está sempre aberto ao diálogo com empresas, agências de publicidade ou com o poder público. Nossa intenção é promover o debate e tentar incidir nas ações destes atores, buscando fazer com que atuem de forma mais ética para com a infância brasileira.
De que forma um cidadão pode fazer denúncias sobre o desrespeito na mídia com crianças e adolescentes?
O Projeto Criança e Consumo recebe denúncias da sociedade em seu website. É muito fácil fazer uma denúncia, basta acessar: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Denuncie.aspx. A partir das denúncias recebidas, o Projeto Criança e Consumo analisa seus conteúdos e encaminha, quando pertinentes e coerentes com a atuação do Projeto, aos órgãos competentes. Devido ao seu foco de trabalho, o Projeto não atende demandas individuais nem aborda questões de conteúdo, mas foca-se no combate ao intenso marketing direcionado ao público infantil.
Há outras entidades na sociedade brasileira que atuam no monitoramento do conteúdo televisivo, como, por exemplo, a Campanha “Quem financia a baixaria é contra a Cidadania” (Ética na TV), que também recebe denúncias da sociedade civil, mas no caso monitoram o conteúdo e a qualidade dos programas veiculados na mídia.
Como combater o consumismo?
Para trabalhar e combater o consumismo é preciso entender, antes de tudo, que estamos inseridos em uma sociedade de consumo, em que o ato de consumir é fundamental para a sobrevivência de todos. Assim, deve-se em primeiro lugar diferenciar consumo e consumismo. O consumismo é o ato de consumo inconseqüente e desenfreado, que é derivado de impulsos e não de reais necessidades. Importa lembrar que na sociedade em que vivemos as publicidades não vendem apenas produtos, mas vendem também imagens, sonhos, desejos e, principalmente status social. A lógica atualmente estabelecida privilegia o ter em relação ao ser, fazendo com que muitos acreditem que terão sentimentos agradáveis ao consumirem.
Para combater o consumismo infantil é preciso repensar que sociedade estamos construindo e que infância queremos preservar. Sabe-se que as crianças hoje em dia influenciam em até 80% de tudo o que é comprado por uma família (Pesquisa Interscience) e que grande parte do seu conhecimento sobre produtos e serviços advém do tempo exagerado que passam em frente à televisão (média de 5 horas diárias, segundo dados do IBOPE/2007). Assim, é fundamental reverter essa relação com a criança, mostrando-lhe que apenas o consumo de bens e serviços não é suficiente para trazer afeto, carinho e felicidade. Para tanto, é importante preservar um relacionamento saudável com os pequenos e uma primeira medida pode ser instigar a criança a realizar atividades mais interativas, ao invés de apenas assistir televisão ou jogar jogos eletrônicos.
O controle do tempo de exposição da criança aos meios midiáticos (em especial TV e internet) contribui para reduzir a exposição à comunicação mercadológica. Ao mesmo tempo, ofertar outras atividades para as crianças é uma maneira de incentivá-la a se envolver em outros programas, com outras crianças, com maior potencialidade de desenvolvimento físico, motor e mesmo de relacionamento inter-pessoal (podem ser brincadeiras que envolvam a imaginação, projetos relacionados à arte como dançar, tocar instrumentos musicais ou desenhar podem ser uma excelente alternativa). Em suma, as crianças devem ser incentivadas a brincar. É por meio das brincadeiras que elas desenvolvem suas habilidades psico-motoras, intelectuais, corporais e sociais.
É importante evitar o contato com a mídia em momentos como o das refeições e dos estudos, por exemplo, de maneira a estimular o diálogo com outras pessoas e a concentração.
Aqui, vale a pena lembrar que as crianças espelham-se no comportamento dos adultos com quem convivem. Os adultos devem mostrar o exemplo, se conscientizando da necessidade de controlar gastos e evitando o consumo exagerado. Outras boas “dicas” de como lidar com o consumismo na infância podem ser consultadas nas publicações do Projeto Criança e Consumo, disponíveis para download em: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=3.
A TV Cultura não passa mais propaganda dirigida para o publico infanto-juvenil, O que deve ser feito para que as outras emissoras sigam este exemplo?
No entendimento do Projeto Criança e Consumo (interpretação conjunta da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Código de Defesa do Consumidor) toda e qualquer publicidade dirigida às crianças é abusiva e, portanto, ilegal. Assim, as emissoras de TV que veiculam anúncios dirigidos às crianças estão atuando de forma ilegal, especialmente tendo-se em vista que é responsabilidade compartilhada pela sociedade, Estado e família o cuidado com a infância. A iniciativa da TV Cultura é louvável e deveria ser seguida por outras emissoras. A sociedade precisa se mobilizar para exigir que as demais emissoras respeitem a infância, ampliando sua programação infanto-juvenil e não mais veiculando publicidade no horário destinado a crianças.
Sabe-se que alimentos com brinde estimulam a criança a consumir produtos não saudáveis. Como impedir que empresas de alimentos e bebidas parem de dar brindes para quem compra lanches, salgadinhos e outros?
O Projeto Criança e Consumo entende que a oferta de brinquedos exclusivos conjugados com a venda de alimentos é prática comercial reprimida pela legislação pátria (“venda casada”). Nesse sentido, as empresas que inviabilizam a aquisição do brinquedo (“brinde”) independentemente do consumo do alimento estão incorrendo em uma ação comercial ilegal. O Projeto vem denunciando situações como esta, mas como a legislação não é expressa (sobre a venda de produtos alimentícios e brinquedos), é preciso contar com a atuação do Poder Público, seja para regulamentar melhor a matéria (projetos de Lei – 5921/01 e 150/09, Consulta pública da ANVISA – 71, etc.), seja para condenar empresas que se utilizam desta prática para incrementar vendas. A sociedade também tem um papel muito importante a cumprir, no sentido de contestar a realização destas práticas pelas empresas.
Quais são as vitoras na área de alimentos e bebidas que o Instituto Alana venceu?
Pode-se dizer que o Projeto Criança e Consumo tem sido extremamente bem sucedido na proposição e qualificação do debate sobre oferta publicitária de produtos e bebidas obesogênicos para crianças. Consideramos que já foi possível avançar bastante. Há atualmente projetos de lei em tramitação (como por exemplo o 150/09), propostas de regulamentação na ANVISA (Consulta Pública 71) e a edição da Resolução do Conselho Nacional de Saúde de 2008 que aborda expressamente a matéria. Alguns casos denunciados pelo Projeto têm encontrado amparo, seja no PROCON ou no Ministério Público, o que tem gerado a proposição de ações civis públicas e autuações para empresas que direcionam comunicação mercadológica de produtos obesogênicos a crianças (para conhecer melhor as denúncias do Projeto, acessar: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/AcaoJuridica.aspx).
Os pais hoje em dia tem pouco tempo com seus filhos. Quanto tempo e de que forma os pais podem educar seus filhos, com o fácil acesso das crianças a TV e internet ?
Os pais precisam assumir a educação dos filhos e impor limites, o que não é fácil nos dias de hoje. A sociedade atual é muito complexa, o trabalho toma a maior parte do dia dos genitores ou responsáveis e o acesso aos meios de comunicação está cada vez mais facilitado. Crianças são naturalmente curiosas com o mundo e se interessam pela tecnologia que encontram pela frente, sentindo-se desafiadas a explorá-la. No entanto, apesar de importante, o contato com a tecnologia e a mídia não é suficiente para promover uma educação infantil adequada, que deve estimular o desenvolvimento dos 5 sentidos e não apenas da visão (como acontece com a exposição à TV, por exemplo). Assim, é importante que os pais se mostrem dispostos ao diálogo e a brincar com os filhos, não temendo impor limites (como por exemplo não permitir o acesso a determinados conteúdos de mídia inadequados para a idade dos filhos, restringir o número de horas de utilização de jogos eletrônicos etc.). O Projeto Criança e Consumo elaborou um material para incentivar pais, responsáveis e educadores a combater o consumismo na infância. O livreto “O que fazer para proteger nossas crianças do Consumismo” apresenta boas indicações de como agir com as crianças. O acesso ao conteúdo deste material é livre, sendo que pode ser gratuitamente baixado em: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=4&pub=4.
Obs. O blog Nutrição Para Todos é parceiro do Instituto Alana, e manda um forte abraço a todos os integrantes, e especialmente, agradece a gentileza da Tamara Amoroso Gonçalves pela entrevista!
A partir de hoje teremos link em nosso blog (DENUNCIE AQUI) para que você leitor também faça denúncias diretamente para esta importante ONG.
Atuo no Instituto Alana como advogada do Projeto Criança e Consumo. Sempre tive interesse nas temáticas de proteção à infância e direito do consumidor, que considero fundamentais para a promoção da cidadania no Brasil. O Projeto, de forma inovadora, conjuga estas duas grandes áreas.
Por que foi criado o Instituto Alana?
O Instituto Alana é uma organização sem fins lucrativos que foi criado a partir de uma iniciativa social de algumas pessoas físicas. Atualmente conta com estrutura e gestão profissionalizadas e tem dois projetos principais para realizar a missão a que se propõe: o Espaço Alana e o Criança e Consumo. Foi fundado em 1994 e tem como missão fomentar e promover a assistência social, a educação, a cultura, a proteção e o amparo da população em geral, visando a valorização do homem e a melhoria da sua qualidade de vida, conscientizando-o para que atue em favor de seu desenvolvimento, do desenvolvimento de sua família e da comunidade em geral, sem distinção de raça, cor, posicionamento político partidário ou credo religioso, também desenvolve atividades em prol da defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes relacionadas a relações de consumo em geral, bem como ao excessivo consumismo ao qual são expostos.
Qual objetivo dos projetos Criança e Consumo, e Educando na Periferia?
O Instituto Alana oferece, por meio de ações do Espaço Alana, atividades que complementam e se somam às ações públicas nas áreas de educação, cultura e saúde. É importante ressaltar que não há, nessa atuação, a intenção de ocupar as lacunas deixadas pelo Estado no atendimento a comunidades carentes. Bem ao contrário, o Espaço Alana tem como objetivo primordial o auxílio às comunidades onde atua para que se organizem pela reivindicação dos serviços e assistências a que têm direito para o exercício da plena cidadania.
O Projeto Criança e Consumo foi criado com o intuito de promover debates sobre cidadania, participação social e qualidade de vida, levando informação crítica aos pais e educadores, instruindo-os sobre os malefícios advindos do consumismo infanto-juvenil. Assim, persegue mudanças de paradigmas na sociedade, propondo alterações nas relações de consumo (como o não direcionamento de nenhuma forma de comunicação mercadológica às crianças), fortalecendo valores humanísticos hoje tão menosprezados.
Para quem são feitas as denúncias ( Minsterio Publico, PROCON ????), e qual a visão dos agencias de publicidade sobre o papel de vocês?
O Projeto Criança e Consumo, ao verificar irregularidades nas mais diversas comunicações mercadológicas dirigidas a crianças, encaminha denúncias aos órgãos públicos competentes, como Ministério Público, PROCON ou DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor). Também realiza denúncias perante o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) que é a entidade responsável por realizar a autorregulamentação da publicidade no Brasil.
O Projeto Criança e Consumo, por ter como missão uma mudança radical de valores na sociedade, primando pela garantia integral dos direitos da criança e do adolescente, procura manter relações cordiais com todos os demais atores sociais. Por isso, está sempre aberto ao diálogo com empresas, agências de publicidade ou com o poder público. Nossa intenção é promover o debate e tentar incidir nas ações destes atores, buscando fazer com que atuem de forma mais ética para com a infância brasileira.
De que forma um cidadão pode fazer denúncias sobre o desrespeito na mídia com crianças e adolescentes?
O Projeto Criança e Consumo recebe denúncias da sociedade em seu website. É muito fácil fazer uma denúncia, basta acessar: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Denuncie.aspx. A partir das denúncias recebidas, o Projeto Criança e Consumo analisa seus conteúdos e encaminha, quando pertinentes e coerentes com a atuação do Projeto, aos órgãos competentes. Devido ao seu foco de trabalho, o Projeto não atende demandas individuais nem aborda questões de conteúdo, mas foca-se no combate ao intenso marketing direcionado ao público infantil.
Há outras entidades na sociedade brasileira que atuam no monitoramento do conteúdo televisivo, como, por exemplo, a Campanha “Quem financia a baixaria é contra a Cidadania” (Ética na TV), que também recebe denúncias da sociedade civil, mas no caso monitoram o conteúdo e a qualidade dos programas veiculados na mídia.
Como combater o consumismo?
Para trabalhar e combater o consumismo é preciso entender, antes de tudo, que estamos inseridos em uma sociedade de consumo, em que o ato de consumir é fundamental para a sobrevivência de todos. Assim, deve-se em primeiro lugar diferenciar consumo e consumismo. O consumismo é o ato de consumo inconseqüente e desenfreado, que é derivado de impulsos e não de reais necessidades. Importa lembrar que na sociedade em que vivemos as publicidades não vendem apenas produtos, mas vendem também imagens, sonhos, desejos e, principalmente status social. A lógica atualmente estabelecida privilegia o ter em relação ao ser, fazendo com que muitos acreditem que terão sentimentos agradáveis ao consumirem.
Para combater o consumismo infantil é preciso repensar que sociedade estamos construindo e que infância queremos preservar. Sabe-se que as crianças hoje em dia influenciam em até 80% de tudo o que é comprado por uma família (Pesquisa Interscience) e que grande parte do seu conhecimento sobre produtos e serviços advém do tempo exagerado que passam em frente à televisão (média de 5 horas diárias, segundo dados do IBOPE/2007). Assim, é fundamental reverter essa relação com a criança, mostrando-lhe que apenas o consumo de bens e serviços não é suficiente para trazer afeto, carinho e felicidade. Para tanto, é importante preservar um relacionamento saudável com os pequenos e uma primeira medida pode ser instigar a criança a realizar atividades mais interativas, ao invés de apenas assistir televisão ou jogar jogos eletrônicos.
O controle do tempo de exposição da criança aos meios midiáticos (em especial TV e internet) contribui para reduzir a exposição à comunicação mercadológica. Ao mesmo tempo, ofertar outras atividades para as crianças é uma maneira de incentivá-la a se envolver em outros programas, com outras crianças, com maior potencialidade de desenvolvimento físico, motor e mesmo de relacionamento inter-pessoal (podem ser brincadeiras que envolvam a imaginação, projetos relacionados à arte como dançar, tocar instrumentos musicais ou desenhar podem ser uma excelente alternativa). Em suma, as crianças devem ser incentivadas a brincar. É por meio das brincadeiras que elas desenvolvem suas habilidades psico-motoras, intelectuais, corporais e sociais.
É importante evitar o contato com a mídia em momentos como o das refeições e dos estudos, por exemplo, de maneira a estimular o diálogo com outras pessoas e a concentração.
Aqui, vale a pena lembrar que as crianças espelham-se no comportamento dos adultos com quem convivem. Os adultos devem mostrar o exemplo, se conscientizando da necessidade de controlar gastos e evitando o consumo exagerado. Outras boas “dicas” de como lidar com o consumismo na infância podem ser consultadas nas publicações do Projeto Criança e Consumo, disponíveis para download em: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=3.
A TV Cultura não passa mais propaganda dirigida para o publico infanto-juvenil, O que deve ser feito para que as outras emissoras sigam este exemplo?
No entendimento do Projeto Criança e Consumo (interpretação conjunta da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Código de Defesa do Consumidor) toda e qualquer publicidade dirigida às crianças é abusiva e, portanto, ilegal. Assim, as emissoras de TV que veiculam anúncios dirigidos às crianças estão atuando de forma ilegal, especialmente tendo-se em vista que é responsabilidade compartilhada pela sociedade, Estado e família o cuidado com a infância. A iniciativa da TV Cultura é louvável e deveria ser seguida por outras emissoras. A sociedade precisa se mobilizar para exigir que as demais emissoras respeitem a infância, ampliando sua programação infanto-juvenil e não mais veiculando publicidade no horário destinado a crianças.
Sabe-se que alimentos com brinde estimulam a criança a consumir produtos não saudáveis. Como impedir que empresas de alimentos e bebidas parem de dar brindes para quem compra lanches, salgadinhos e outros?
O Projeto Criança e Consumo entende que a oferta de brinquedos exclusivos conjugados com a venda de alimentos é prática comercial reprimida pela legislação pátria (“venda casada”). Nesse sentido, as empresas que inviabilizam a aquisição do brinquedo (“brinde”) independentemente do consumo do alimento estão incorrendo em uma ação comercial ilegal. O Projeto vem denunciando situações como esta, mas como a legislação não é expressa (sobre a venda de produtos alimentícios e brinquedos), é preciso contar com a atuação do Poder Público, seja para regulamentar melhor a matéria (projetos de Lei – 5921/01 e 150/09, Consulta pública da ANVISA – 71, etc.), seja para condenar empresas que se utilizam desta prática para incrementar vendas. A sociedade também tem um papel muito importante a cumprir, no sentido de contestar a realização destas práticas pelas empresas.
Quais são as vitoras na área de alimentos e bebidas que o Instituto Alana venceu?
Pode-se dizer que o Projeto Criança e Consumo tem sido extremamente bem sucedido na proposição e qualificação do debate sobre oferta publicitária de produtos e bebidas obesogênicos para crianças. Consideramos que já foi possível avançar bastante. Há atualmente projetos de lei em tramitação (como por exemplo o 150/09), propostas de regulamentação na ANVISA (Consulta Pública 71) e a edição da Resolução do Conselho Nacional de Saúde de 2008 que aborda expressamente a matéria. Alguns casos denunciados pelo Projeto têm encontrado amparo, seja no PROCON ou no Ministério Público, o que tem gerado a proposição de ações civis públicas e autuações para empresas que direcionam comunicação mercadológica de produtos obesogênicos a crianças (para conhecer melhor as denúncias do Projeto, acessar: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/AcaoJuridica.aspx).
Os pais hoje em dia tem pouco tempo com seus filhos. Quanto tempo e de que forma os pais podem educar seus filhos, com o fácil acesso das crianças a TV e internet ?
Os pais precisam assumir a educação dos filhos e impor limites, o que não é fácil nos dias de hoje. A sociedade atual é muito complexa, o trabalho toma a maior parte do dia dos genitores ou responsáveis e o acesso aos meios de comunicação está cada vez mais facilitado. Crianças são naturalmente curiosas com o mundo e se interessam pela tecnologia que encontram pela frente, sentindo-se desafiadas a explorá-la. No entanto, apesar de importante, o contato com a tecnologia e a mídia não é suficiente para promover uma educação infantil adequada, que deve estimular o desenvolvimento dos 5 sentidos e não apenas da visão (como acontece com a exposição à TV, por exemplo). Assim, é importante que os pais se mostrem dispostos ao diálogo e a brincar com os filhos, não temendo impor limites (como por exemplo não permitir o acesso a determinados conteúdos de mídia inadequados para a idade dos filhos, restringir o número de horas de utilização de jogos eletrônicos etc.). O Projeto Criança e Consumo elaborou um material para incentivar pais, responsáveis e educadores a combater o consumismo na infância. O livreto “O que fazer para proteger nossas crianças do Consumismo” apresenta boas indicações de como agir com as crianças. O acesso ao conteúdo deste material é livre, sendo que pode ser gratuitamente baixado em: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=4&pub=4.
Obs. O blog Nutrição Para Todos é parceiro do Instituto Alana, e manda um forte abraço a todos os integrantes, e especialmente, agradece a gentileza da Tamara Amoroso Gonçalves pela entrevista!
A partir de hoje teremos link em nosso blog (DENUNCIE AQUI) para que você leitor também faça denúncias diretamente para esta importante ONG.


1 comentários:
Olá cai no seu blog, qdo procurava blogs que falava sobre alimentação, acabei de construir um blog onde falo da minha alimentaçao e tentativas de dietas, se puder me dar algumas dicas ficarei grata!
http://necessidadepsicologica.blogspot.com/
Abraços
Postar um comentário